Dedos em Garra e Bunionete: deformidades dos dedos

Você já sentiu dor nos dedos dos pés ao usar sapatos fechados ou notou uma saliência incômoda na lateral do pé? Essas alterações podem ser sinais de duas deformidades comuns: dedos em garra e bunionete (também conhecido como joanete do quinto dedo). Embora muitas vezes ignoradas no início, essas condições podem causar dor, calosidades e até dificuldade para caminhar.

O que são dedos em garra e bunionete?

  • Dedos em garra: é quando os dedos — geralmente o segundo, terceiro e quarto — ficam dobrados para baixo, como se estivessem em formato de garra. Essa deformidade pode surgir por uso prolongado de calçados apertados, alterações neurológicas ou em pessoas com pé cavo. É mais comum em mulheres adultas.

  • Bunionete: é uma saliência óssea dolorosa na lateral do pé, próxima ao quinto dedo (o “dedinho”). O osso se projeta para fora, e o dedo mínimo se desvia em direção ao quarto dedo. Também afeta mais mulheres, especialmente aquelas que usam sapatos estreitos na ponta. Estima-se que até 10% da população tenha algum grau dessa alteração.

Sintomas: quando os dedos começam a reclamar

As duas condições podem causar bastante desconforto no dia a dia:

  • Dedos em garra: dor nos pontos de atrito, como na parte superior dos dedos e na sola do pé. É comum o surgimento de calosidades e dificuldade para usar sapatos fechados.

  • Bunionete: dor, vermelhidão e calosidade na lateral do pé, especialmente ao usar calçados apertados. A saliência óssea pode dificultar o uso de sapatos de bico fino e causar incômodo constante.

Se você sente dor nos dedos ou percebe alterações no formato deles, vale a pena procurar um especialista em pé e tornozelo.

Como é feito o diagnóstico?

O médico avalia o alinhamento dos dedos, a presença de calos e a mobilidade das articulações. Em casos de bunionete, é comum observar o desvio do dedo mínimo em direção aos demais.

A radiografia do pé é essencial para entender o grau da deformidade e planejar o tratamento. Em casos mais complexos, a ressonância magnética pode ser usada para avaliar os ligamentos, articulações e sinais de sobrecarga — como o edema ósseo.

Tratamento conservador: alívio sem cirurgia

Nos estágios iniciais, é possível controlar os sintomas com medidas simples:

  • Calçados adequados, com solado rígido, frente larga e macia

  • Palmilhas sob medida ou protetores de silicone, que ajudam a reduzir a pressão nos pontos dolorosos

  • Fisioterapia e alongamentos, especialmente para dedos em garra, ajudando a aliviar os sintomas e melhorar a mobilidade

Essas medidas podem evitar a progressão da deformidade e melhorar bastante o conforto no dia a dia.

Quando a cirurgia é indicada?

Se o tratamento conservador não for suficiente ou se a deformidade se tornar rígida e dolorosa, a cirurgia pode ser necessária.

  • Para dedos em garra, o procedimento envolve ajustes nos tendões e ossos para realinhar os dedos

  • Para bunionete, é feita uma osteotomia — corte e reposicionamento do osso — para corrigir o desvio e retirar a saliência

A recuperação costuma levar de 6 a 12 semanas, dependendo da técnica utilizada. A boa notícia é que muitos desses procedimentos podem ser feitos com técnicas minimamente invasivas, o que reduz o tempo de recuperação e melhora o resultado estético.

Complicações: o que pode acontecer?

Embora raras, algumas complicações podem surgir após a cirurgia:

  • Falta de consolidação nos locais onde o osso foi cortado

  • Rigidez dos dedos

  • Infecção ou problemas na cicatrização

Por isso, é fundamental seguir as orientações médicas e realizar a reabilitação corretamente.

 Se você sente dor nos dedos dos pés, tem dificuldade com calçados ou percebe alterações no formato dos dedos, não ignore. Quanto antes for feito o diagnóstico, mais simples e eficaz será o tratamento — seja com palmilhas, fisioterapia ou cirurgia.

Chega de sentir dores!

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Dr. Daniel Kamura

CRM 156.698 / TEOT 15.291 / RQE 88.918

Ortopedista especialista em pé e tornozelo, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Especialização em Cirurgia do Pé e Tornozelo no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo – IOT HCFMUSP.

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e  da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Pé e Tornozelo (ABTpé).

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