As fraturas no pé e tornozelo são mais comuns do que muita gente imagina. Seja por uma queda simples ou um trauma durante a prática de esportes, essas lesões podem afetar pessoas de todas as idades — e merecem atenção especial para evitar complicações futuras.
Por que essas fraturas acontecem com tanta frequência?
O tornozelo é uma das articulações mais exigidas do nosso corpo. Ele suporta o peso, absorve impactos e permite movimentos como caminhar, correr e saltar. Por isso, não é surpresa que seja a segunda articulação mais fraturada, perdendo apenas para o punho.
Essas fraturas podem acontecer em qualquer fase da vida, mas são especialmente comuns em dois grupos:
Adultos jovens, geralmente por traumas esportivos
Idosos, por quedas simples, muitas vezes associadas à osteoporose
Estima-se que cerca de 10% das fraturas atendidas em pronto-socorro envolvem o pé ou o tornozelo.
Como saber se você teve uma fratura?
Os sinais costumam ser bem claros logo após o trauma:
Dor intensa e imediata
Inchaço que aparece rapidamente e vai aumentando
Dificuldade ou incapacidade de apoiar o pé no chão
Em alguns casos, o pé ou tornozelo pode parecer “torto” ou fora do lugar
Hematomas (manchas roxas) que surgem algumas horas depois
Se você notar esses sintomas, é fundamental procurar atendimento médico o quanto antes.
Como é feito o diagnóstico?
O ortopedista começa com um exame físico, observando a dor localizada, o inchaço e a dificuldade de movimentar o pé. Em alguns casos, é possível sentir uma espécie de “areia” ao mexer a articulação — isso se chama crepitação.
Para confirmar a fratura, o exame mais comum é a radiografia, que mostra a linha de quebra do osso e se houve deslocamento. Em fraturas mais complexas, especialmente quando a articulação está comprometida, pode ser necessário fazer uma tomografia, que ajuda a planejar o tratamento cirúrgico.
Já a ressonância magnética é indicada em casos de fratura por estresse — aquelas que surgem aos poucos, sem um trauma evidente — ou para avaliar lesões nos ligamentos, tendões e cartilagem.
Tratamento: quando é possível evitar a cirurgia?
Nem toda fratura exige cirurgia. Quando o osso está quebrado mas não saiu do lugar (sem desvio), ou em casos de fraturas por estresse, o tratamento conservador costuma funcionar bem.
Nesse caso, o paciente pode precisar:
Usar uma bota gessada ou órtese por 4 a 8 semanas
Evitar apoiar o pé no chão no início, usando muletas
Tomar analgésicos e aplicar gelo para aliviar a dor e o inchaço
Fazer fisioterapia após a retirada da imobilização, para recuperar força, equilíbrio e mobilidade
E quando a cirurgia é necessária?
A cirurgia é indicada quando há deslocamento dos fragmentos ósseos, fraturas que envolvem a articulação ou instabilidade causada por lesões nos ligamentos.
O procedimento consiste em reposicionar os ossos e fixá-los com placas, parafusos ou hastes metálicas. O objetivo é restaurar o alinhamento correto para que o paciente volte a se movimentar normalmente.
A recuperação pode levar de 3 a 6 meses, dependendo da gravidade da fratura. Uma das vantagens da cirurgia é que, em muitos casos, o paciente já pode começar a apoiar parcialmente o pé após cerca de 3 semanas — sempre com orientação médica e uso de imobilizador.
Complicações: o que pode acontecer se não tratar corretamente?
Embora raras, algumas complicações podem surgir:
O osso pode cicatrizar de forma errada, causando deformidades (consolidação viciosa)
A articulação pode ficar rígida ou com movimentos limitados
Pode surgir artrose precoce no tornozelo
Há risco de infecção após a cirurgia ou até osteomielite (infecção no osso)
Em pessoas com osteoporose, pode haver refraturas
Se você sofreu uma queda ou trauma e está com dor no pé ou tornozelo, não espere para procurar ajuda. Um diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença na recuperação — e ajudam a evitar problemas que podem comprometer sua mobilidade no futuro.