Você já sentiu uma dor incômoda na parte de trás do calcanhar, especialmente ao caminhar ou subir escadas? Ou conhece alguém que teve a sensação de um estalo repentino na perna durante uma corrida ou partida de futebol? Esses podem ser sinais de lesão no tendão de Aquiles — uma estrutura essencial para nossos movimentos, mas que pode sofrer com o excesso de esforço.
O que é o tendão de Aquiles e por que ele se machuca?
O tendão de Aquiles (também chamado de tendão calcâneo) é o maior e mais forte tendão do corpo humano. Ele conecta os músculos da panturrilha ao osso do calcanhar e é fundamental para ações como caminhar, correr e saltar.
Apesar de sua força, ele é bastante vulnerável a lesões — especialmente em adultos entre 30 e 50 anos que praticam esportes como corrida, futebol ou tênis. Homens são os mais afetados, e estima-se que até 20% das lesões em esportistas recreativos envolvam esse tendão.
Sintomas: como identificar uma lesão no tendão de Aquiles
Os sinais variam conforme o tipo de lesão:
Tendinite ou tendinopatia: é quando o tendão está inflamado ou começa a se desgastar. A dor costuma aparecer na parte de trás do calcanhar e piora com esforço físico. Às vezes, a dor é mais próxima do osso; em outras, mais perto da panturrilha — e isso muda o tipo de tratamento indicado.
Ruptura parcial ou total: ocorre de forma súbita, com sensação de estalo ou “chicote” na perna. A pessoa pode ter dificuldade para caminhar ou ficar na ponta dos pés. Também é comum notar inchaço e uma falha ao tocar o tendão.
Como é feito o diagnóstico?
O médico ortopedista avalia o paciente com exames físicos e de imagem:
No exame clínico, observa-se dor ao toque, espessamento do tendão e o chamado “sinal de Thompson” — quando apertamos a panturrilha e o pé não se mexe, indicando possível ruptura.
A ultrassonografia ajuda a visualizar inflamações, áreas desgastadas ou rompidas.
Em casos mais complexos, a ressonância magnética é usada para confirmar o diagnóstico e planejar o tratamento, principalmente se houver necessidade de cirurgia.
Tratamento para lesões no tendão de Aquiles
Nem toda lesão exige cirurgia. Muitas vezes, o tratamento conservador é suficiente — especialmente em casos de tendinite ou rupturas parciais.
Entre as opções estão:
Redução das atividades físicas e repouso relativo
Aplicação de gelo e elevação da perna para diminuir o inchaço
Uso de medicamentos anti-inflamatórios nas fases agudas
Calcanheiras de silicone para aliviar a pressão sobre o tendão
Fisioterapia com exercícios de alongamento e fortalecimento da panturrilha
Imobilização temporária em alguns casos
Já nas rupturas totais, especialmente em pessoas jovens e ativas, a cirurgia costuma ser indicada. Em pacientes idosos ou com outras doenças graves, o tratamento conservador pode ser preferido, considerando os riscos da cirurgia.
Cirurgia: quando é necessária e como funciona
A cirurgia é recomendada quando há ruptura completa do tendão ou quando o tratamento conservador não teve sucesso. O procedimento consiste em unir as extremidades rompidas do tendão, e pode ser feito com cortes maiores (técnica aberta) ou com pequenas incisões (minimamente invasiva).
O tempo entre a lesão e a cirurgia, assim como o local exato da ruptura, influenciam na escolha da técnica. Após o procedimento, o paciente costuma usar uma bota imobilizadora por cerca de três semanas, sem apoiar o pé no chão. Depois disso, inicia-se a fisioterapia com carga progressiva — primeiro com muletas, depois sem, até caminhar normalmente.
O retorno ao esporte geralmente acontece após seis meses de reabilitação.
Possíveis complicações
Se a lesão não for tratada corretamente, pode haver perda de força na panturrilha, dificuldade para caminhar e até deformidades no pé. As complicações após a cirurgia são raras, mas podem incluir:
Cicatrização lenta da pele
Infecções
Nova ruptura do tendão
Rigidez ou fraqueza na articulação
Se você está sentindo dor no calcanhar ou suspeita de uma lesão no tendão de Aquiles, procure um ortopedista especialista em pé e tornozelo, se preferir, entre em contato direto com minha equipe. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de recuperação completa — com ou sem cirurgia.