Pé Cavo: quando o arco do pé é alto demais e começa a causar dor

Você já reparou que a sola do seu pé tem uma curvatura muito acentuada, como se o meio do pé quase não encostasse no chão? Isso pode ser sinal de pé cavo, uma condição que, embora menos comum que o famoso “pé chato”, pode causar bastante desconforto e até dificultar o uso de calçados comuns.

O que é pé cavo?

O pé cavo é uma alteração na anatomia do pé em que o arco plantar medial — aquela curvinha na sola — é mais alto do que o normal. Isso faz com que o peso do corpo se concentre em áreas menores do pé, o que pode gerar dor, calosidades e instabilidade ao caminhar.

Estima-se que cerca de 10% da população tenha algum grau de pé cavo. Ele pode estar presente desde o nascimento (forma congênita) ou surgir ao longo da vida, especialmente em pessoas com doenças neurológicas que afetam a musculatura dos pés, como a Charcot-Marie-Tooth.

Sintomas: como saber se você tem pé cavo?

Os sinais mais comuns incluem:

  • Dor nos pés, principalmente ao caminhar ou ficar em pé por muito tempo

  • Calosidades em pontos específicos da sola, geralmente na lateral, perto do dedinho

  • Tornozelos instáveis, com tendência a torções, já que o pé costuma tombar para fora

  • Dificuldade para usar sapatos comuns, que não acomodam bem a curvatura

  • Em alguns casos, pode surgir metatarsalgia — dor e calosidade na região próxima aos dedos menores

Se você se identifica com esses sintomas, vale a pena procurar um especialista em pé e tornozelo para uma avaliação.

Como é feito o diagnóstico?

Durante o exame físico, o médico observa o formato do pé, o desgaste dos calçados e a presença de deformidades como dedos em garra. É comum notar que o calcanhar está tombado para dentro e o tornozelo para fora — o que contribui para a instabilidade.

A radiografia ajuda a medir o grau da curvatura e entender a gravidade da deformidade. Em alguns casos, são solicitados exames neurológicos, especialmente se houver suspeita de doenças que afetam os nervos e músculos do pé.

Tratamento para pé cavo: sempre começa de forma conservadora

Nem todo pé cavo precisa de cirurgia. Muitas vezes, o tratamento conservador já traz alívio dos sintomas e melhora na qualidade de vida.

As principais opções incluem:

  • Palmilhas ortopédicas personalizadas, que ajudam a distribuir melhor a pressão no pé

  • Fisioterapia, com exercícios de alongamento e fortalecimento dos músculos do pé e tornozelo

  • Órteses noturnas, que podem corrigir a posição dos dedos em alguns casos

  • Escolha de calçados adequados, com bom amortecimento e espaço interno para acomodar a curvatura

Quando a cirurgia é indicada?

A cirurgia é considerada quando o pé cavo causa dor intensa, está piorando com o tempo ou já provocou artrose nas articulações da parte de trás do pé.

O procedimento pode envolver:

  • Liberação de estruturas encurtadas

  • Transferência de tendões para melhorar o equilíbrio muscular

  • Osteotomias, que são cortes e reposicionamentos dos ossos para corrigir a deformidade

  • Em casos com artrose, é feita a artrodese modelante, que consiste em retirar a cartilagem danificada e unir os ossos com placas ou parafusos

A recuperação depende da complexidade da cirurgia e pode variar de alguns meses até um ano.

O que acontece se não tratar?

Sem o tratamento adequado, o pé cavo pode levar a:

  • Dor crônica nos pés

  • Entorses frequentes, por causa da instabilidade

  • Deformidades fixas nos dedos, como os dedos em garra

  • Sobrecarga nas articulações do joelho, quadril e coluna, já que o corpo tenta compensar a forma de andar para evitar a dor — o que chamamos de marcha antálgica

Se você sente dor na sola do pé, tem dificuldade com calçados ou percebe que vive torcendo o tornozelo, não ignore esses sinais. O pé cavo pode ser tratado com sucesso, mas precisa ser avaliado por um especialista.

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Dr. Daniel Kamura

CRM 156.698 / TEOT 15.291 / RQE 88.918

Ortopedista especialista em pé e tornozelo, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Especialização em Cirurgia do Pé e Tornozelo no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo – IOT HCFMUSP.

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e  da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Pé e Tornozelo (ABTpé).

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