Pé Diabético: como cuidar, prevenir complicações e evitar amputações

O pé diabético é uma das complicações mais sérias do diabetes — e infelizmente, também uma das mais comuns. Quando o controle da glicemia não é feito de forma adequada, os pés podem sofrer com a perda de sensibilidade, má circulação e até feridas que não cicatrizam. Se não tratado corretamente, pode levar a infecções graves e até à amputação.

O que é pé diabético?

O pé diabético acontece quando o diabetes afeta os nervos e os vasos sanguíneos dos pés. Isso faz com que a pessoa:

  • Perca a sensibilidade (não sente dor, calor ou machucados)

  • Tenha circulação reduzida, dificultando a cicatrização

  • Desenvolva feridas que podem se transformar em infecções sérias

Estima-se que até 1 em cada 4 pessoas com diabetes terá algum tipo de lesão nos pés ao longo da vida. É a principal causa de amputações não traumáticas no mundo — ou seja, amputações que não foram causadas por acidentes, mas por complicações da doença.

Sintomas: como identificar sinais de alerta?

Os sintomas do pé diabético podem começar de forma discreta, mas evoluem rapidamente se não forem tratados:

  • Perda de sensibilidade nos pés — a pessoa não sente dor, calor ou machucados

  • Feridas que demoram a cicatrizar

  • Infecções recorrentes

  • Calosidades e deformidades nos pés

  • Em casos mais graves, podem surgir úlceras profundas, mau cheiro, secreção e até necrose (morte do tecido)

Se você tem diabetes e percebe qualquer alteração nos pés, procure um médico imediatamente. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de evitar complicações.

Como é feito o diagnóstico?

O médico realiza uma avaliação completa, que inclui:

  • Teste de sensibilidade com monofilamento — um fio de nylon usado para verificar se o paciente sente o toque

  • Inspeção da pele, observando feridas, calos e deformidades

  • Avaliação da circulação, com palpação dos pulsos e, se necessário, exame de doppler

  • Radiografias, para verificar alterações ósseas

  • Ressonância magnética, em casos de suspeita de infecção no osso (osteomielite) ou em tecidos moles, como abscessos

Esses exames ajudam a entender a gravidade do quadro e definir o melhor tratamento.

Tratamento conservador: o cuidado começa no dia a dia

O primeiro passo para tratar o pé diabético é controlar bem o diabetes. Manter a glicemia sob controle reduz o risco de novas lesões e melhora a cicatrização das feridas.

Outras medidas importantes incluem:

  • Cuidados locais nas feridas, com limpeza, curativos adequados e retirada de tecidos mortos

  • Uso de calçados especiais e palmilhas, que evitam pressão em áreas de risco

  • Antibióticos, quando há infecção

  • Acompanhamento multidisciplinar, com endocrinologista, cirurgião vascular e ortopedista

Esse cuidado conjunto é essencial para evitar que o quadro evolua para algo mais grave.

Tratamento cirúrgico: quando é necessário?

Em casos mais avançados, a cirurgia pode ser necessária para salvar o pé — e em alguns casos, a vida do paciente.

As opções incluem:

  • Desbridamento cirúrgico, que é a retirada de tecidos necrosados ou infectados

  • Cirurgias de revascularização, feitas pelo cirurgião vascular quando há comprometimento grave da circulação

  • Amputações parciais ou totais, indicadas quando há infecção incontrolável ou necrose extensa. Embora seja uma decisão difícil, pode ser a única forma de evitar complicações fatais. Felizmente, as próteses modernas oferecem boa funcionalidade e ajudam na reabilitação

Complicações: por que o pé diabético exige atenção constante?

Sem tratamento adequado, o pé diabético pode levar a:

  • Infecção generalizada (sepse)

  • Amputações

  • Dificuldade para caminhar e realizar tarefas simples

  • Maior risco de mortalidade, especialmente em pacientes que já passaram por amputações

 

Se você tem diabetes, cuidar dos seus pés deve fazer parte da rotina. Examine-os todos os dias, mantenha a glicemia controlada e procure ajuda médica ao menor sinal de alteração. O pé diabético pode ser prevenido — e com o tratamento certo, é possível evitar complicações graves e manter a sua saúde.

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Dr. Daniel Kamura

CRM 156.698 / TEOT 15.291 / RQE 88.918

Ortopedista especialista em pé e tornozelo, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Especialização em Cirurgia do Pé e Tornozelo no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo – IOT HCFMUSP.

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e  da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Pé e Tornozelo (ABTpé).

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