Síndrome de Haglund (Tendinite Insercional do Calcâneo): tudo o que você precisa saber

Se você sente dor na parte de trás do calcanhar, especialmente ao subir escadas ou usar sapatos fechados, pode estar lidando com a tendinite insercional do calcâneo, também chamada de Síndrome de Haglund. Essa condição afeta o ponto onde o tendão de Aquiles se conecta ao osso do calcanhar — e pode causar bastante desconforto no dia a dia.

O que é a Síndrome de Haglund?

Essa síndrome ocorre quando há uma inflamação no local onde o tendão de Aquiles se insere no osso do calcanhar. Em muitos casos, existe uma proeminência óssea nessa região — uma espécie de “calombo” que aumenta o atrito com o tendão, irritando e inflamando a área.

É mais comum em adultos entre 30 e 50 anos, especialmente em:

  • Corredores e praticantes de esportes de impacto

  • Pessoas que usam calçados com a parte traseira muito rígida ou apertada

Sintomas: como identificar?

Os sinais costumam ser bem característicos:

  • Dor na parte posterior do calcanhar, que piora ao caminhar ou subir escadas

  • Inchaço e vermelhidão no local

  • Formação de um caroço doloroso atrás do calcanhar

  • Dificuldade para usar sapatos fechados, por causa do atrito constante

Se você sente que seu calcanhar está sempre sensível ou dolorido, vale a pena investigar.

Diagnóstico: como é feito?

O ortopedista realiza um exame físico, observando:

  • Dor ao toque no ponto de inserção do tendão

  • Aumento de volume na região

Para complementar, são solicitados exames de imagem:

  • Radiografia, que pode mostrar a proeminência óssea e calcificações no local

  • Ultrassonografia, útil para detectar inflamação e pequenas lesões no tendão

  • Ressonância magnética, indicada para avaliar o grau de degeneração do tendão e verificar se há edema ósseo na região

Essas informações ajudam a definir o melhor caminho para o tratamento.

Tratamento conservador: o primeiro passo

Na maioria dos casos, o tratamento começa de forma conservadora — ou seja, sem cirurgia. O objetivo é aliviar os sintomas e evitar a progressão da lesão.

As principais medidas incluem:

  • Trocar o tipo de calçado, evitando modelos com contraforte rígido ou que pressionem o calcanhar

  • Calcanheiras de silicone, que ajudam a reduzir o impacto na região

  • Aplicação de gelo e uso de analgésicos, para aliviar a dor e o inchaço

  • Fisioterapia, com exercícios de alongamento da panturrilha e fortalecimento progressivo

  • Em alguns casos, infiltrações locais podem ser indicadas para controlar a dor

Quando a cirurgia é necessária?

Se o tratamento conservador não resolver ou se a dor continuar limitando as atividades, a cirurgia pode ser indicada.

O procedimento consiste em:

  • Remover a proeminência óssea do calcâneo

  • Tratar o tendão degenerado, se houver lesões

A técnica pode variar:

  • Quando o tendão está comprometido, é preferível a cirurgia aberta, que permite limpar e restaurar a anatomia do tendão

  • Se o tendão estiver preservado, pode-se optar por uma técnica minimamente invasiva, para retirar os “bicos ósseos” com menos agressividade

A recuperação costuma levar de 3 a 6 meses, com retorno gradual às atividades físicas.

Complicações: o que pode acontecer?

Se não tratado corretamente, a tendinite insercional pode evoluir para:

  • Dor crônica, que limita a qualidade de vida

  • Dificuldade para praticar atividades físicas

  • Após a cirurgia, há risco de infecção, rigidez ou até re-ruptura do tendão em casos mais graves — por isso, o acompanhamento médico e a reabilitação são fundamentais

 

Se você sente dor persistente no calcanhar, especialmente ao caminhar ou usar sapatos fechados, procure um ortopedista especialista, pode ser Síndrome de Haglund e tem tratamento, que pode ser simples, desde que o diagnóstico aconteça rapidamente.

Chega de sentir dores!

Resolva de uma vez por todas as patologias do pé e tornozelo.

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Dr. Daniel Kamura

CRM 156.698 / TEOT 15.291 / RQE 88.918

Ortopedista especialista em pé e tornozelo, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Especialização em Cirurgia do Pé e Tornozelo no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo – IOT HCFMUSP.

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e  da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Pé e Tornozelo (ABTpé).

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