Se você pratica corrida ou esportes de impacto e começou a sentir dor na parte de trás da perna, um pouco acima do calcanhar, pode estar enfrentando uma tendinite não insercional do tendão de Aquiles. Apesar do nome técnico, essa condição é bastante comum entre pessoas jovens e ativas — e pode ser tratada com sucesso quando diagnosticada corretamente.
O que é a tendinite não insercional?
Essa tendinite afeta a porção média do tendão de Aquiles, ou seja, a parte que fica alguns centímetros acima do calcanhar. Diferente da forma insercional (que atinge o ponto onde o tendão se conecta ao osso), essa versão não envolve o osso diretamente.
Ela costuma surgir por sobrecarga repetitiva e microtraumas, especialmente em quem pratica atividades físicas intensas sem o tempo adequado de recuperação.
Sintomas: como identificar?
Os sinais aparecem aos poucos e podem piorar com o tempo:
Dor localizada na parte posterior da perna, acima do calcanhar
Início gradual, geralmente piorando com treinos mais intensos
Inchaço e espessamento do tendão, perceptível ao toque
Rigidez matinal, que melhora conforme o corpo se movimenta ao longo do dia
Se você sente que a dor atrapalha seus treinos ou não melhora com repouso, é hora de procurar um especialista.
Diagnóstico: como o médico avalia?
Durante o exame físico, o ortopedista observa:
Dor ao toque no meio do tendão
Espessamento palpável, geralmente sem deformidades ósseas
Para confirmar o diagnóstico e entender a gravidade, podem ser solicitados:
Ultrassonografia, que mostra áreas de inflamação, degeneração ou pequenas rupturas
Ressonância magnética, indicada em casos mais resistentes ao tratamento, para planejar a melhor abordagem
Tratamento conservador: o caminho mais comum
Na maioria dos casos, o tratamento é feito sem cirurgia e foca na recuperação do tendão e no alívio dos sintomas.
As principais medidas incluem:
Redução das atividades de impacto, como corrida e saltos
Alongamento da panturrilha e exercícios excêntricos, que ajudam a fortalecer o tendão sem sobrecarregá-lo
Gelo local e uso de anti-inflamatórios, quando necessário
Fisioterapia especializada, com técnicas de reabilitação específicas para o tendão de Aquiles
Em alguns casos, o uso de ondas de choque pode acelerar a recuperação
Com disciplina e acompanhamento adequado, muitos pacientes voltam às atividades sem dor.
Cirurgia: quando é realmente necessária?
A cirurgia é rara e só indicada quando o tratamento conservador não traz melhora, mesmo após meses de acompanhamento.
O procedimento envolve:
Remoção do tecido degenerado
Estímulo à cicatrização do tendão
A recuperação leva de 4 a 6 meses, e os resultados costumam ser positivos, especialmente em pacientes que seguem corretamente o plano de reabilitação.
Complicações: o que pode acontecer se não tratar?
Ignorar os sintomas ou continuar forçando o tendão pode levar a:
Dor persistente, que limita a prática esportiva
Espessamento permanente do tendão, dificultando a recuperação
Risco de ruptura completa, uma complicação mais grave que exige cirurgia imediata
Se você sente dor acima do calcanhar e pratica esportes regularmente, não deixe para depois. A tendinite não insercional do calcâneo pode ser tratada com sucesso — e quanto antes for diagnosticada, mais rápido será o retorno às suas atividades.